10 de março de 2015.

Aterrissamos no  Aeroporto Internacional  de Yangon, Myanmar.

Para entrar no país, o visto deve ser feito com pelo menos um mês de antecedência.

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Myanmar é a antiga Birmânia. Passou a  ser chamada assim em 2011 por questões políticas. Yangon não é a capital, mas é a maior e mais importante cidade.

Antes de sair do aeroporto, trocamos dinheiro. A moeda dali se chama Kyat. E você só consegue trocar, se seus dólares estiverem novinho e folha, sem nenhum amassadinho. E eles não aceitam mesmo!

Na saída do aeroporto , quando as portas automáticas se abriram um bafo quente veio nos recepcionar. Adoro pisar em terras estrangeiras, quando logo de cara se pode notar diferenças culturais sensíveis. Chega o organizador da fila de taxi, vestido de camisa branca e longyi, que é um tipo de sári, que os homens usam por lá, com um celular enfiado na cintura.

Faz pouco tempo que Myanmar se abriu para essa coisa de telefonia, internet e cartões de banco. Ali, ainda se vive uma vida de outra época, misturada com as inovações da modernidade. O país, a passos lentos, caminha rumo a democracia apesar das forças armadas ainda controlarem o governo.

O caminho do aeroporto até o Hotel é muito bonito, com ruas largas e floridas. De longe já conseguíamos ver uns pedaços de pagodas aqui e ali.

Nos ficamos hospedados no Hotel Family Treasure http://www.familytreasure-inn.com. Um hotel de gestão familiar, com o preço razoável, bem confortável e perto do centro.

Nesse país, existem algumas coisas pelas quais se deve pagar taxas para o governo. Hotel é uma delas, conforme o Hotel se paga 10%. Em outros, praticamente toda a quantia paga vai para o governo, não era o caso desse mas isso existe.

Deixamos as malas e corremos cheios de curiosidade para ver as belezas da cidade. Antes, uma paradinha par tomar uma vitamina de mamão extra gelada. No mês de março as temperaturas chegam aos 40 graus. Nesse dia, estava pelo menos uns 38 graus.

Pela cultura deles, as mulheres não devem andar com partes do corpo a mostra. Não é que você não possa sair de saia ou shorts, mas as pessoas vão reparar em você. Em templos e pagodas não se pode entrar nem com as pernas de fora e nem com decotes. Para ter uma idéia, eu com meu batom cor de laranja, chamei muita atenção! As mulheres vinham falar comigo para me dizer que eu era linda porque tinha a pele branca e meu batom era bonito.E prá completar pediam para tirar foto junto comigo.

Lá as mulheres usam um creme no rosto chamado thanakha. Eu perguntei o por que para uma delas e ela me disse que muitas usavam por tradição de beleza, mas que também servia para proteger a pele do sol. Se eu soubesse que elas iam gostar tanto do meu batom tinha levado uma caixa para dar de presente porque as mulheres dali e o povo em geral, são muitíssimo dóceis.

Eu com flores de sândalo no cabelo. Eles vendem nas ruas. O perfume é muito bom.

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Eles seguem o budismo teravada. Qualquer outra religião ou é minoria mesmo ou é perseguida, ou acaba por levar a pessoa ao desemprego e descriminação. A  filosofia teravada em linhas gerais, é um processo  de evolução, onde através das experiências de vida de um individuo, aliado a teoria principal  das quatro nobres verdades, levam ao caminho da evolução da alma, o Nirvana.

Esse pais é repleto de espiritualidade. São muitas pagodas espalhadas por várias regiões. Também museus , parques, feiras de rua, culinária maravilhosa e mercados . Mas se vê também muita discrepância entre classes sociais. Vários edifícios comerciais sendo erguidos e praticamente todos de investidores estrangeiros. A cidade tem seus limites em áreas sem condições de saneamento básico e outras áreas ricas.

Eu vou contar de Yangon , Bago e do Monte Kyaikhtiyo, que foram os lugares pelos quais eu passei.

Centro de Yangon

Sule Pagoda

Pense em um monumento de mais de 2000 anos, localizado no meio da cidade. Linda e imponente, no começo de uma avenida e em meio a uma rotatória super movimentada.

Foi a primeira que eu entrei e fiquei bastante comovida de estar ali.

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Shwedagon Pagoda 

A origem dessa pagoda data de 2600 anos. Na Índia o príncipe Siddartha quando alcançou o estado de perfeição Buddhahood, foi visitado por dois irmãos mercadores de Myanmar que o ofereceram como presente bolos de mel. Como agradecimento Buddha  arranca 8 fios de cabelo de sua cabeça e os entregou aos irmão que levaram para sua cidade natal chamada Okkalapa onde hoje é conhecida como Yangon. Eles entregaram os fios de cabelo ao rei que construiu a pagoda. Toda pagoda, a princípio, se origina como templo que guarda algum pertence de Buddha.

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Essa imensa Pagoda possui quatro entradas Norte, Sul, Leste e Oeste. A entrada principal é guardada por duas gigantes imagens de Chinte que são animais metade grifo (animal com cabeça, bico e asas de águia) e metade leão. Eles representam a força e a sabedoria.

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Dentro da pagoda existem muitos simbolismos , milhões de detalhes, é incrivelmente bela e limpa. Dá vontade de tirar foto de tudo. É uma experiência incrível conhecer um lugar tão lindo, todo feito em folhas de ouro.

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E tinha as sombras das Buddha Tree (árvores de Buddha)

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Chauk Htat Gyi Pagoda

Aqui um enorme Buddha deitado ocupa o centro dessa pagoda calma e cheia de paz.

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Bogyoke Aung San Market

É um enorme mercado com arquitetura de estilo inglês que vende artesanato e souvenires de tudo que é tipo. Além de joias, tecido e frutas. Realmente grande, precisa de praticamente meio dia se quiser conhecer tudo.
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Feira de rua

Isso é o que mais se vê. Em algumas áreas da cidade, como por exemplo, na Sule Pagoda Road, as calçadas dos dois lados são dominadas por banquinhas. Se vende de tudo, frutas, peixe, roupas. E tem também as banquinhas de comida de rua. Dá vontade de experimentar tudo.

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Eles cortam a fruta pra você comer na hora e vendem nesses saquinhos com um palito.

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Ou são criativos para fazer  ” picolezinhos” de melancia. Perfeito para o calor que fazia.

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Culinária e vida noturna

A culinária Birmanesa é bastante picante. Eles comem muitas verduras, peixes, frango e porco. E colocam bastante pimenta. Socorro!

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Ali não é difícil encontrar restaurantes com outros tipos de culinária. Tem para todos os gostos.  E tem muitos bares porém a vida noturna não vai até muito tarde.

Tem também as casa de chá, herança dos tempos em que Myanmar foi colonizada pelos britanicos.

Esses foram alguns restaurantes que eu fui:

Vista bar 

Que é um terraço localizado na West Shwe Gone Dine Road 168 com vista para  a Shwedagon Pagoda . O ideal é chegar na hora do pôr do sol. Dá prá ver a pagoda toda iluminada conforme vai escurecendo. Os drinks são deliciosos e a comida, eu diria, picante. Mas gostosa. Quando eu cheguei estava vazio, mas praticamente todas as mesas estavam reservadas.

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Shan Yoe Yar 

Localizado na 169 Wadan St, Lanmadaw. Esse restaurante entrou para minha lista dos mais deliciosos do mundo. Foi realmente uma experiência sensorial, saborear pratos vegetarianos e um prato peixe ao molho de tamarindo. Só de lembrar e dá água na boca.

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A comida de rua é uma delícia e tem por toda parte. Algumas ruas mais movimentadas e achar um lugarzinho é uma sorte. Se encontra não somente as habitantes locais bem como turistas.

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Monte Kyaikhtiyo, a tour !

Esse monte, também conhecido como Golden Rock é talvez o cartão postal mais conhecido de Myanmar. É praticamente uma obrigação ir até lá. Mas chegar, não é tão simples assim. É distante de Yangon e tem várias etapas.

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É claro que existem muitos tipos de viajadores, com budget de sobra ou não. E meios diversos para se chegar até lá como carro, trem ou ônibus. Eu vou contar como foi a minha experiência. Eu fui de carro.

Nós procuramos uma agência de turismo e acertamos uma tour que compreendia a região de Bago e o Monte Kyaikthyio, com uma noite de estadia. Essa é outra coisa que se deve pagar taxa para o governo. Na hora de pagar o pacote eles deixaram claro qual era a porcentagem do governo.

Então, partimos bem cedo, conduzidos por um motorista que vestia camisa branca e um longyi rosa pink. O cara era todo arrumado com relógio de ouro e óculos escuro. Muito simpático, fazia de tudo para nos agradar.

No caminho passamos pelo cemitério dos ingleses.

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Chegamos a região de Bago, localizada a 80 km  a nordeste de Yangon na estrada para Mandalay. A estrada é cheia de templos antigos.  A cidade de Bago foi fundada em 573 a.C. e era a capital da Myanmar meridional.

Outra coisa que se paga taxa,  e que se paga o tempo todo, é um fee cobrado por cada câmera fotográfica. Mesmo se você tiver um celular, vai ter que pagar. E não adianta tentar esconder porque eles tem olheiros que fiscalizam. Mas um lugar como esse, pagar para fotografar é um prazer!

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Depois de uma longa viagem, praticamente umas 8h de viagem, chegamos nessa cidade que dava acesso ao Monte Kyaikthyio.

Como nós teríamos que esperar até o dia seguinte de manhã, que é quando tem o transporte até lá, ficamos hospedados no Bawga Theiddi Hotel. Bastante confortável.

Aproveitamos para dar uma volta na pequena vila e tomar uma cervejinha gelada. Um dia de calor para se relembrar.

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As pessoas queriam tirar fotos com a gente, diziam que o meu marido era muito alto e eu muito bonita. e nós querendo tirar fotos com eles, felizes de estarmos ali com aquelas pessoas tão cordiais que mesmo falando uma língua incompreensível se faziam compreender.

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No dia seguinte acordamos cedo e fomos para a estação que era a poucos passos do nosso hotel.

A subida para o Monte era feita por caminhões. A subida é tão íngreme que somente caminhões conseguem realizar o trajeto. Eles lotam o caminhão até não sobrar nem um único espacinho.

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É nóis no Pau – de- arara !

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Demora uns 25 minutos para subir e no caminho tem uma parada . Ninguém desce do caminhão, são os vendedores ambulantes que sobem em uma escadinha para tentar vender chapéus, frutas, água e tem também um que fica recitando um mantra e pede uma colaboração.

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Chegando lá, é uma emoção!.

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Só os homens podem tocar na pedra. Eles vão até lá colar folhas de ouro e fazer suas preces.

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Voltamos para Yangon, paramos para almoçar em um restaurante maravilhoso, típico com vista para uma Pagoda.

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E chegamos lá no entardecer. Hora ideal para tomar um banho  e fazer um happy hour.

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No nosso último dia, antes de partir, pegamos o barco que fazia a Travessia do Rio Yangon para Dalah, lá nós contratamos dois meninos para nos levar para conhecer a ilha com rickshaw.

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Me senti um pouco triste, confesso.

No passado deve ter sido um lugar muito bonito. Mas o tsunami que invadiu a ilha devastou tudo. São pouquíssimas casas que foram reconstruídas, não existe mais escola para as crianças, eles vivem em uma situação desoladora.

O cara que me guiava me contou algumas coisas. Disse que tinha que alugar aquela bicicleta para poder trabalhar como guia porque não tinha dinheiro para comprar uma. Que muitas crianças que perderam os pais no tsunami viviam em condições péssimas com a ajuda e os cuidados de outras pessoas nem sempre parentes. Ele tinha a mesma idade que eu e parecia uns vinte anos mais acabado. Sofrido.

Quando eu vejo coisas desse tipo, eu fico muito triste por aquela gente. Me faz pensar nas várias condições do seres humanos. Porque alguns devem nascer em zonas de eterno risco?

E um pouco vem aquela sensação de que devo agradecer por tudo o que tenho.

Myanmar é tão fraca em muito pontos. Ainda tão longe das sociedades modernas. mesmo cheio de riquezas e belas paisagens não se desenvolveu o necessário ainda.

A maior riqueza que esse país possui são as pessoas. Uma gente cheia de sorrisos no rosto e força. Que ainda mantem, de certo modo, uma ingenuidade de outros tempo.

Vale a pena dar uma olhada de perto!

E mais umas fotinhos para terminar

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Myanmar