Geralmente eu gosto de escrever no blog quando estou feliz, empolgada com a vida, com alguma viajem que fiz ou algum lugar novo que conheci. Mas é para isso que, tem também,  aquele botão “Impressões” no meu menu. E invariavelmente quando escrevo para essa área do blog, a conversa fica um pouco tensa.

Para os que não sabem , eu sou Brasileira, Paulista e moro em Firenze há cinco anos. Eu vim prá cá porque me apaixonei por um gaúcho que estava de passagem lá em São Paulo e  essa era a única opção para ficar com ele. Afinal a vida dele já havia sido construída por aqui.

Como minha família é de origem italiana  eu acabei indo atrás dos meus documentos e resolvi a questão da cidadania. Quero dizer que, não consegui  a cidadania me casando, então ficar aqui foi sempre uma opção minha  e não uma condição por ser casada. Afinal eu nem me casei. Somos apenas companheiros de vida..

Outro dia conheci uma brasileira que morava aqui há 14 anos  e ela me disse que fazia pouco tempo que eu estava aqui. Devo admitir que aquilo me deixou com um pouquinho de raiva.

Poxa! Pouco prá quem? Talvez prá ela. Prá mim não tem nada de pouco. Cinco anos é tempo suficiente para se fazer muita coisa. E eu fiz muita coisa. Viajei muito, aprendi muito e aprendi não apenas coisas gostosas como conhecer bons vinhos, o prazer de saborear pratos exóticos, a delícia de entrar num avião e se materializar em outros mundos, coisas que só quem mora desse lado do oceano entende, mas aprendi principalmente a arte da resignação.

Porque tem gente que acha que  só porque você é casada com o dono da churrascaria e come arroz com feijão quando quer em terras estrangeiras sua vida é uma mar de rosas. Acredite, eu aprendi que a vida de ninguém é realmente o que parece ser. E olha que eu não tenho do que reclamar em muitos pontos. Me considero uma sortuda de plantão. Mas a ausência daquela vida que eu sempre menosprezei, as vezes pesa muito. E aí você aprende.

No Brasil , eu tinha de tudo e não tinha nada, eu tinha todos e não tinha ninguém. E ficou mais claro ainda que eu não tinha ninguém quando muita gente simplesmente esqueceu que eu existia ou passou a me olhar com olhos invejosos por achar que a minha vinda para a Itália tinha me transformado numa pessoa rica. Quem me dera…

Olha eu não chego a achar que a vida aqui é pior, mas considero que seja mais difícil. Aqui você não escolhe muito os seus amigos. Tem esses amigos aqui, que é pegar ou largar. E muitas vezes  é bom nem pensar duas vezes para não acabar sozinho. Eu conheço muita gente e tenho bons amigos, mas também tem aquele outro tipo de amigo que se me conhecesse no Brasil, acho que não andaria comigo nem por uma barra de ouro. Se eu andaria com eles ? Também não.

Então, eu aprendi a me resignar e entender que tudo tem um lado bom na vida. Por exemplo, aqui na Itália, a coisa mais normal do mundo é um médico ser amigo de um encanador ou um pedreiro. Coisa que absolutamente existe no Brasil. Quem me conhece de antes da Itália sabe que eu nunca fiz muita distinção de classes sociais, meus melhores amigos aliás, eram pessoas que não tinham nem um cachorro pra puxar pelo rabo.

Outra coisa que eu acho difícil aqui em Firenze, não na Itália , porque cada lugar tem suas peculiaridades, é fazer amizade com mulheres. A impressão que tenho sobre elas é que são  muito fechadas e talvez um pouco ciumentas de nós brasileiras.

Che cazzo!

Ciúmes de que? De quem? Por que?

Não vou defender muito a mulher brasileira, porque acho que essa espécie também tem muito o que aprender em relação a julgar menos a sua semelhante, mas que é mil vezes mais fácil receber um sorriso, ouvir uma conversa fiada e até mesmo arriscar umas risadas com uma brasileira isso é fato!

A questão da família então nem se fala, parece que esse item existe no mundo para você aprender a conviver  com pessoas esquisitas que você não entende e ao mesmo tempo sofre com a ausência delas. A principio a distância da família parecia a salvação da lavoura mas com o tempo , eu entendi que uma das coisa mais pega em estar distante, é que não tem como ir na casa dos parentes no fim de semana.

Então vem aquela pergunta né… Porque você não volta para o Brasil?

E eu me pego lembrando da cara daquela garota que falou que eu estava a pouco tempo aqui.

Meu bem, eu não volto, justamente porque são passados cinco anos.